Viajando Sola, pero No Pasa Nada : Turquia

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Nome: Rafaela Ely Silveira

Idade: 25 anos

Profissão: Jornalista. Trabalho no projeto Me Leva Embora Estrada Afora , com conteúdo de viagens, e em um jornal de Porto Alegre

País de destino: Turquia, em 2014

Duração da viagem: 20 dias

Motivo da viagem: Fui para o casamento de uma amiga turca em Istambul e passei por sete cidades no país

 

 

 

1.Você já tinha viajado sozinha antes?

Já, viajo sozinha a vida inteira... às vezes num grupo, mas sem parceria. Em 2010 foi a primeira trip que fiz sozinha, um intercambio pra Inglaterra.

3.Você ficou com medo de ir sozinha? O que as pessoas ao seu redor falaram?

Medo, não. Mas fiquei um pouco apreensiva por ser meu primeiro país muçulmano. Mesmo que seja bem m ocidentalizado e super turístico, não sabia como seria o dia a dia de uma mulher brasileira lá. E também as fronteiras orientais já estavam um pouco conturbadas em função do Estado Islâmico. Minha mãe ficou bem preocupada, deixou claro que não queria que eu fosse, mas sabia que não podia fazer nada. E as outras pessoas faziam piadinhas sobre a religião, a burca, os sultões… Coisas que associavam ao país, mas que, na verdade, tinham muito pouco a ver com ele.

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Casamento Turco. Não era o que você esperava?!

4. Quais eram as expectativas para a sua viagem e quais você achava que seriam os principais problemas que você iria encontrar por ir sozinha?

A expectativa maior era reencontrar meus amigos, que conheci em 2010 durante intercâmbio para a Inglaterra. Conhecer a cultura e interagir com os locais era, sem dúvida, a ideia geral da trip. Eu imaginava que, por ser mulher brasileira - sim, brasileira, pois em outros lugares que fui, ao falar minha nacionalidade, perguntavam se eu tinha visto os filmes pornôs produzidos no Brasil -, ia sofrer algum tipo de assédio.

5. O que você acabou encontrando por lá?

Encontrei uma sociedade muito parecida com a nossa, apesar de algumas diferenças pontuais que só tornaram a experiência mais interessante. Não sofri nenhum assédio na rua. Só um host do Couchsurfing ficou dando em cima de mim, mas isso poderia acontecer em qualquer país (e foi a única situação assim que passei desde que comecei a usar o serviço). Ao sair com meu amigo para irmos ao casamento, ele me recomendou que eu colocasse um chale sobre o vestido - que não era muito decotado, mas mostrava parte do colo - para que os vizinhos não olhassem/comentassem. Acho que esse foi o maior choque cultural que tive por lá. A roupa era uma questão que me preocupava um pouco, mas vi muita gente de bermuda e camiseta curta (era o auge do verão), sem problema algum. Fora isso, foram todos muito receptivos e prestativos. Sempre tentavam ajudar, apesar da barreira do idioma. Teve um cara que caminhou umas duas quadras comigo para me mostrar onde era a parada de ônibus, já que não conseguia me explicar com palavras. As pessoas com quem eu conseguia conversar se mostravam interessadas pelo Brasil. Uma amiga disse que queria vir para cá, pois era um “país exótico”, o que causou risos da minha parte, já que, para mim, exóticos eram eles.

6. O que você acha que mudou em você ter ido sozinha? A experiência seria a mesma se você tivesse ido com outras pessoas?

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Rafaela em Pamukkale

Talvez a experiência lá não tivesse sido muito diferente se eu houvesse ido com mais alguém. É possível que eu interagisse menos com os locais e outros viajantes, mas não tenho certeza. O que com certeza mudou foi a atitude em si. Mostrar para mim mesma, para minha família e conhecidos e para todos que ficam sabendo da trip que é possível viajar sozinha, romper essa crença de que países com tradições diferentes das nossas são necessariamente perigosos.

7. Qual o conselho que você dá para meninas que querem viajar sozinhas?

Não dê atenção para aos que dizem que vai dar tudo errado na sua viagem, que, por você ser mulher, corre milhares de riscos, que vai ser assaltada, morta, estuprada. Essas pessoas não têm embasamento para lhes falar isso, são medos pessoais que elas acabam reproduzindo. Mas, claro, não dê bandeira para o perigo, analise as situações e confie em seus instintos.

 

8. Agora, para ajudar as outras viajantes pelo mundo, o que você acha que não pode falta na mala de uma mulher?

Bah, isso é super pessoal. Gosto sempre de ter um bloquinho e uma caneta à mão pra anotar informações e impressões pelo caminho.

9. Você disse que esse ia ser o primeiro país muçulmano que ia conhecer. Você achou que as pessoas te trataram diferente dos outros países que viajou sozinha por causa da religião?

Não... de maneira nenhuma. A religião foi um lance muito legal, porque eu vi mais como uma cultura riquissima. pq nao tive de agir de nenhuma maneira diferente na rua por ser um pais muçulmano. A única curiosidade é que eu tenho a tradição de ir nos restaurantes do hard rock e pedir um prato de ribs (costela de porco com molho barbecue) nas viagens (é minha única refeição-ostentação), e no islã nao pode comer porco... aí eles servem costela de gado e frango... hehe . Além disso você tem que seguir as regras da religião ao entrar nas mesquitas. Porém eu acho que é só uma questão de respeitar a religião que ela não se torna um problema.

 

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E ai, o que vocês acharam? Nada como quebrar paradigmas não é mesmo?

Esperamos que isso sirva de incentivo para todas as mulheres que querem sair por ai desbravando esse mundão! Porque lugar de mulher é onde ela quiser <3

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